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terça-feira, 20 de setembro de 2011

[livros] Leonel Caldela e a homenagem ao RS


A partir da página 324 de O Crânio e O Corvo, de Leonel Caldela, começa uma tremenda homenagem ao Rio Grande do Sul. Trouxe isso neste dia de Revolução Farroupilha, pois me é uma citação memorável na literatura fantástica - e sim, Caldela tem um fã neste que vos escreve.

No segundo volume da assim chamada Trilogia da Tormenta, o anão pistoleiro Ingram Brassbones e o mago/médico Zebediah Nash passam pelo reino de Namalkah, e Leonel Caldela tratou então de inspirar o lugar em seu Estado de origem. À época, confesso que não percebi como isso estava presente desde o começo do capítulo O cavaleiro a pé. Hoje, vi que ele já diz, desde o início, que Namalkah é uma terra que "exala orgulho".

Na mesma página, ele já fala na nossa geografia: há coxilhas em Namalkah. Pozolha, é uma coisa daqui, que é muito da guasca! Pelo menos, nunca ouvi em outros lugares, me corrijam nos comentários, se estiver errado.

Ao se encontrar com um grupo de cavaleiros - o mais comum em um lugar de grandes planícies e poucas cidades - a descrição em muito remete para os ginetes. Aliás, é exatamente este o termo usado: ginetes. Com botas altas, calças de montaria, faca portada junto da arma principal, que geralmente é uma lança. Familiar? Além disso, chapéus largos e escuros, boleadeiras, camisas folgadas e ponchos. Alafresca!

 

Claro, a crítica não deixa de ser feita. Segundo o próprio Nash, ele mesmo escondendo ao anão ser namalkaniano, declara que estes são uns broncos.

O vocabulário, boviamente, é incorporado pelos nativos do Reino dos Cavalos. Os ginetes interpelam os dois viajantes falando em entrevero, guampas e em prosear. E por aí vai: provalecimento, vivente, etc.

Enfim... De certa forma, é uma referência que, ao menos para mim, que já conhecia o material do RPG, foi totalmente inesperado. Tenho um carinho por essas passagens até hoje, mais até do que pelo resto da trilogia.

Meus sinceros agradecimentos ao Leonel, que também já autografou o meu livro, como o fez com tantos fãs, aposto. Aos leitores gaúchos e aos não-gaúchos: orgulho da sua terra, ou mesmo do seu país, sempre faz bem.; é algo que ajuda a nos ligar a algum lugar afetivo. Fora daquele espaço da propaganda, de todo mundo pilchado; eu, por exemplo, nunca usei a vestimenta típica gaúcha. Mas isso não me exime de ter orgulho de ser gaúcho, hoje, mais do que de um passado construído ou apresentado nas festas.

Quebra-costela pros viventes!
@marcelogrisa

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Polêmica - A lei de estrangeirismos e a repercussão no Estado

Foto: Marcelo Bertani / Assembleia Legislativa do RS (Fonte: ZH)

Bem, como todos sabem, uma nova lei - que passará agora pelas mãos do governador Tarso Genro, que assinará ou não - vem tirando o sossego de alguns e despertando a sátira de outros.

Cabe ressaltar que, não é "privilégio" do RS ter uma lei estranha como essas...em 2009, o então governador do Paraná, Roberto Requião, sancionou uma lei sobre estrangeirismos em propagandas - que não surtiu efeito - como podemos ver esse trecho do site "Documento Reservado" (clique aqui para ler as reportagens sobre a lei):

"Causou surpresa ao deputado Stephanes Júnior (PMDB) e aos representantes das empresas de publicidade e propaganda o fato de o governador Roberto Requião (PMDB) ter sancionado e publicado, sem qualquer alarde como costuma fazer, a lei que obriga a tradução de propaganda em território paranaense. Entidades estão revoltadas com o que consideram descaso e falta de consideração do Governo do Estado com a sociedade paranaense. (...)"

No caso do RS, o que prevê o projeto polêmico:

Institui a obrigatoriedade da tradução de expressões ou palavras estrangeiras para a língua portuguesa, em todo documento, material informativo, propaganda, publicidade ou meio de comunicação por meio da palavra escrita sempre que houver em nosso idioma palavra ou expressão equivalente.

Em casos excepcionais, em que não houver na língua portuguesa palavra ou expressão equivalente, o significado ou tradução da palavra ou expressão estrangeira deverá estar escrito. A tradução deve ser do mesmo tamanho que as palavras em outro idioma expostas no texto.

Todos os órgãos, instituições, empresas e fundações públicas deverão priorizar na redação de seus documentos oficiais, sítios virtuais, materiais de propaganda e publicidade a utilização da língua portuguesa. (Fonte: ZH)

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Então, o que se pode dizer sobre isso?! Usarmos 'sítio' ao invés de 'site', "telefones inteligentes" da marca "Maçã"?!

Nosso Estado está sendo motivo de deboche de gaúchos que moram atualmente no exterior, bem como de pessoas de outros Estados, basta ler Facebook e Twitter com tags sobre o assunto...

Falando em twitter, o projeto de lei é considerado tão ridículo, que foi criado o perfil @DepCarryOn onde os usuários do twitter perguntam as possíveis 'traduções' de termos e marcas usadas pela população. Mesmo quem não tem twitter, cabe dar uma passada no link e ler algumas 'twittadas' engraçadas e provocativas.

Portugal é motivo de piadas, histórias e 'causos' por conta de suas expressões um tanto quanto estranhas e/ou retrógradas. É um país com uma cultura linda, com pontos turísticos lindos, assim como no Brasil, porém, essa "pequena" mazela causa constrangimento aos lusitanos fora do seu país.

O que muitos questionam é isso: estamos virando colônia de Portugal novamente com essa lei?!


Vamos esperar pelos próximos episódios dessa história (bizarra) que circula pelas ruas e por todos os cantos virtuais de Porto Alegre e arredores...